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A Tapada das Necessidades e os segredos de um jardim real

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Um bosque improvável no meio da cidade. É assim a Tapada das Necessidades. Com cerca de 10 hectares de área murada, este espaço verde situa-se nas traseiras do Palácio das Necessidades, na freguesia da Estrela, muito perto de Alcântara e a poucos minutos do rio Tejo, em Lisboa.

Aqui encontram-se vegetação exótica, pequenos animais, fontes, cascatas, esculturas e três lagos — da Palmeira, das Estrelícias e do Duque de Lafões — que ajudam a compor a paisagem. Muitas das árvores são classificadas como de interesse público, incluindo exemplares raros e centenários, tornando este jardim relevante não só como espaço de lazer, mas também como património natural.

A história do local começa em 1742, durante o reinado de D. João V. Foi nessa altura que surgiram a ermida, o convento e o palácio. Inicialmente, a área funcionava como recinto reservado à corte, com zonas destinadas à caça e ao repouso da família real.

No século XIX, D. Fernando II transformou parte da antiga área num jardim de inspiração inglesa, introduzindo novas espécies, reorganizando caminhos e conferindo-lhe uma estética mais paisagística. Mais tarde, D. Pedro V mandou construir a emblemática estufa circular, uma estrutura marcante na paisagem da Tapada.

Também D. Carlos deixou a sua marca ao promover a construção de equipamentos como campos de ténis e o chamado Pavilhão, ou Casa do Regalo, que chegou a ser utilizado como atelier de pintura pela rainha D. Amélia.

Menos turístico do que outros jardins da capital, este espaço mantém uma atmosfera intimista, muito apreciada por quem procura fugir ao óbvio. É um convite aberto à descoberta de uma Lisboa mais verde e cheia de histórias para contar.

📍Largo Necessidades, 1399-051, Lisboa